Prevenir

Como detetar?

Pode e (deve!) ser detetado atempadamente.
O cancro é uma doença com tratamento difícil, mas com meios de prevenção e deteção universais e disponíveis para todos.
Hoje sabe-se que detetar e diagnosticar o cancro colorretal no início do seu desenvolvimento é essencial para o sucesso do tratamento.
Por isso, a evolução em tecnologias e métodos de deteção da doença cria condições de sobrevida que não existiam. Também hoje, qualquer pessoa informada tem a oportunidade de participar na sua própria prevenção e vigilância, estando atenta aos sintomas e às recomendações de rastreio, acautelando o futuro.
São ganhos recentes no combate à doença.

Sinais e sintomas

O cancro colorretal pode causar um ou mais dos sintomas em baixo.
Consulte o seu médico se tem:

  • uma alteração dos hábitos intestinais que persiste, sem razão aparente com prisão de ventre ou
    diarreia (ou uma alternância das duas) e/ou fezes estreitas ou muito escuras;
  • perda de sangue pelo ânus ou perda de sangue misturado nas fezes sem irritação, dor ou prurido;
  • sensação de que o intestino não esvazia completamente;
  • naúseas e vómitos: indisposição, enjoo, desconforto ou dores no estômago, podendo resultar em vómitos;
  • dor forte ou desconforto abdominal, sem explicação aparente;
  • cansaço sem razão aparente;
  • perda de peso sem causa aparente.

Diagnóstico

Se tiver algum sintoma listado entre os que podem ser indicativos de cancro colorretal (ex. sangue detetado nas fezes), o seu médico iniciará um estudo para entender qual a causa deste sintoma.

É um estudo em três passos:

  1. observação clínica pelo médico;
  2. realização de exames imagiológicos
    (permitem visualizar possíveis alterações na cólon ou reto, e compreender o tipo de formações);
  3. realização de uma biópsia,
    (permite observar as células do tumor, para determinar a sua malignidade e caracterizar o tipo de cancro).
    Estes três passos não são apenas os mais lógicos no estudo de alterações, mas em conjunto aumentam também a fiabilidade do diagnóstico.

Como prevenir?

Não há nenhuma vacina para prevenir o cancro colorretal.

Isto porque não há uma causa conhecida para a doença, como acontece com o sarampo, ou a gripe.

Existem alguns fatores conhecidos que aumentam o risco de cancro do cólon e reto, mas não se sabe como bloquear a origem do cancro.

Apesar disto, a prevenção é possível. A hipótese de cancro não é eliminada, mas o risco de o desenvolver pode ser consideravelmente reduzido.

Em pessoas com um risco médio de cancro colorretal, a prevenção passa também pelo reconhecimento dos factores de risco que expõem à doença.

Alguns, têm uma influência limitada no risco de cancro do cólon e reto, mas os seus efeitos somam-se ao longo da vida, podendo levar à doença depois dos 60 anos de idade.

Se quiser diminuir o seu risco deve:

  • Dieta Equilibrada: tenha uma dieta equilibrada, rica em fibra e inclua fruta fresca e vegetais (5 doses diárias, o que equivale aproximadamente a um consumo de 400grs/dia). Evite o consumo em excesso de calorias em especial de gordura animal. A ingestão de líquidos também é importante, sobretudo água.
  • Fitness / Peso: Faça exercício regularmente, de preferência diariamente para evitar o excesso de peso. Mantenha um peso saudável.
  • Risco Familiar: Tente conhecer a história da sua família. Se alguns dos seus familiares tem ou teve cancro colorretal, consulte o seu médico.
  • Faça o rastreio do cancro colorretal, consulte o seu médico.
  • Não fumar.
  • Consumir alcóol  com moderação.
  • Reduzir o consumo de carne vermelha e especialmente as carnes processadas.
  • Consumir Cálcio e vitamina D
  • Considerar um multivitamínico com folato

Rastreio

Detetar o cancro colorretal numa fase inicial, assintomática, traz enormes vantagens.
A remoção de cancros pequenos, confinados à mucosa intestinal (in situ) é bastante simples, realizada através de uma colonoscopia, com uma probabilidade de cura elevada – a taxa de sobrevivência a 5 anos para o cancro colorretal detectado numa fase inicial é de aproximadamente 90%.
Quando o tumor cresce, no entanto, torna-se mais difícil de tratar.
Pode ter-se dispersado na parede do intestino, ou para os gânglios linfáticos, exigindo uma cirurgia e, eventualmente, tratamentos mais agressivos como a quimioterapia.
O rastreio é especialmente útil no cancro colorretal.
Este tipo de cancro tem um tempo bastante alongado de desenvolvimento (às vezes 10- 15 anos), o que dá imenso tempo para a deteção e tratamento.
Por outro lado, em muitos casos, o rastreio pode mesmo prevenir a doença. Isto porque permite a remoção de pólipos, antes de evoluírem para cancro. A prática de colonoscopias tem demonstrado reduzir significativamente as probabilidades de uma pessoa desenvolver cancro colorretal.
Em Portugal, como noutros países, não existe um rastreio organizado para o cancro colorretal, mas existem recomendações nacionais que devem ser seguidas e exames comparticipados pelo Sistema Nacional de Saúde.
O rastreio é dirigido a pessoas em idade de risco – dos 50 anos aos 74 anos de idade.

Orientações em Portugal

As orientações em Portugal para o rastreio de cancro colorretal, em pessoas sem sintomas e sem risco aumentado, partem do Plano Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Oncológicas (PNPCDO), bem como de recomendações oficiais de organismos como a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG) ou a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED).
Seguindo as recomendações do Conselho Europeu, o PNPCDO define como prioritário o rastreio de cancro colorretal em pessoas entre os 50 e os 74 anos de idade, através da pesquisa de sangue oculto nas fezes(PSOF), com uma periodicidade de dois anos.
Nos casos em que o teste de sangue oculto é positivo, o estudo deve prosseguir através de colonoscopia total.
A APMCG, acrescenta que, segundo as preferências pessoais do paciente, mediante os recursos disponíveis e à luz do conhecimento sobre os diferentes métodos, podem ser considerados exames alternativos de rastreio: colonoscopia, retossigmoidoscopia, enema de bário com duplo contraste ou colonoscopia virtual, com periodicidade variável segundo o método utilizado.
A SPEG propõe como estratégia para os mesmos indivíduos (com mais de 50 anos, assintomáticos e sem fatores de risco conhecidos) a realização de colonoscopia esquerda de 5 em 5 anos.

Exames de rastreio

Existem diferentes exames validados para o rastreio de cancro colorretal.
Os exames dividem-se entre os que permitem detetar pólipos e cancro (usando técnicas de imagiologia para visualizar o interior do cólon e reto) e os que apenas detetam cancro (através de testes bioquímicos, imunoquímicos e moleculares que procuram indícios nas fezes).
Exames que podem detetar pólipos e/ou cancro colorretal:
• colonoscopia
• retossigmoidoscopia
• enema de bário com duplo contraste (DCBE)
• colonoscopia virtual  – testes que detectam sobretudo cancro
• pesquisa de sangue oculto nas fezes (FOBT)

Teste imunoquímico das fezes

O teste imunoquímico das fezes (FIT) procura vestígios de sangue nas fezes (tal como a pesquisa de sangue oculto nas fezes), mas através de técnicas de imunoquímica.
Utiliza anticorpos específicos para a hemoglobina humana (proteína que existe nos glóbulos vermelhos do sangue) e para algumas substâncias que resultam da sua degradação.
As amostras são acondicionadas a -5ºC para evitar a sua deterioração.
Tem sido estudado como método de rastreio alternativo ao FOBT por ser um teste mais específico para a hemoglobina humana, o FIT não sofre interferências por determinados alimentos ou suplementos vitamínicos como o FOBT, e necessita de um menor número de amostras colhidas.
Tal como no FOBT, se o teste for positivo, será necessária uma colonoscopia para conhecer as causas da hemorragia.
No entanto, porque a hemoglobina é rapidamente digerida no estômago e no intestino delgado, o FIT é mais específico para hemorragias do cólon.
Tal como o FOBT, o FIT não detecta tumores de menores dimensões, ou outro tipo de tumores que não apresentem hemorragias.
Existe ainda um outro exame realizado em amostras de fezes, menos praticado, que permite detectar um eventual tumor: a pesquisa de DNA fecal .

Pesquisa de sangue oculto nas fezes

A pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) é um teste químico utilizado para detectar vestígios de sangue nas fezes.
A ideia do PSOF é detectar sangue que muitas vezes é libertado de forma vestigial, e que não pode ser descoberto a olho nu.
Vasos sanguíneos de pólipos ou cancros podem ficar feridos na passagem das fezes. É um método não invasivo, económico, fácil de usar e que pode ser realizado em casa do paciente.
Por isso, é também um dos exames recomendados para rastreio.
O PSOF, no entanto, não consegue indicar se o sangue detectado vem do cólon ou de outra parte do tubo intestino (como o estômago). E porque a hemorragia pode ser pontual, necessita de várias amostras fecais para aumentar a probabilidade de deteção.
Se o resultado do teste for positivo, será necessário realizar uma colonoscopia para conhecer a sua origem. Uma hemorragia pode ser sinal de cancro, mas também de uma úlcera, hemorróidas ou uma doença intestinal inflamatória.
Algumas restrições alimentares para a realização do exame:
• certas frutas e vegetais, bem como carne vermelha podem dar falsos positivos
• a vitamina C pode interferir com a reacção e produzir falsos negativos
Informe-se junte do seu médico.

Colonoscopia

Colonoscopia é um exame que permite ao médico observar o interior do cólon e do reto, em toda a sua extensão.
Para isso, o médico passa um fino tubo, oco e flexível, até ao final do cólon. Este tubo, com o nome de colonoscópio, é iluminado e tem uma pequena câmara na ponta, que envia imagens para um monitor.
Ao longo do exame, o médico procurará alterações ao normal, em especial pólipos ou cancro. Para isso, insufla pequenas quantidades de ar no cólon, através do colonoscópio, para que distenda e tenha uma boa visibilidade.
A colonoscopia tem sido aceite como o melhor exame para a deteção de pólipos e/ou cancro. Se um pólipo for detetado, será removido durante a colonoscopia através de instrumentos especiais que passam por dentro do colonoscópio. Este exame diminui em cerca de 80% a probabilidade de cancro colorretal. No entanto, há um risco baixo de perfuração do intestino.
Converse com o seu médico sobre isto. Procure profissionais treinados neste procedimento.

Retossigmoidoscopia

A retossigmoidoscopia é um procedimento em tudo semelhante à colonoscopia, mas que tem como objectivo visualizar apenas o reto e a parte mais baixa do cólon (cólon sigmóide e parte do cólon descendente).
O tubo flexível utilizado neste exame chama-se sigmoidoscópio (com cerca de 60cm).
Tal como o colonoscópio, ilumina o interior do intestino na sua passagem, e transmite imagens para um monitor, para que o médico possa observá-lo cuidadosamente.

A injeção de ar permite expandir o cólon para uma boa visualização e instrumentos específico circulam dentro do tubo para recolher biopsias de lesões e extrair pólipos encontrados, permitem o diagnóstico de 70% das lesões de todo o cólon, que se localizam no segmento descendente.
A retossigmoidoscopia é um exame mais simples do que a colonoscopia, que pode causar algum desconforto, mas que não se espera que seja doloroso.
É um exame mais simpático para o paciente – sobretudo para pessoas com algumas complicações ou de maior idade – com menores riscos de perfuração da parede do intestino, e que é geralmente realizado sem anestesia.
No entanto, identifica apenas uma parte dos pólipos diagnosticados por colonoscopia, e não é indicado para determinadas alterações (ex. displasias de alto grau). Tal como na colonoscopia, necessita de uma medicação de preparação do cólon para o exame.
Um terceiro exame, a colonoscopia esquerda, vai mais além, visualizando todo o reto e cólon ascendente.

Enema de bário com duplo contraste

O enema de bário com duplo contraste (EBDC) utiliza radiação idêntica à dos raios-x, e uma solução que salienta a superfície da mucosa intestinal – o sulfato de bário –, para visualizar o interior do cólon e reto.
O exame é relativamente simples e não requer sedação.
O paciente deita-se numa marquesa e, no início do procedimento, é bombeado sulfato de bário através do recto, que vai distender e preencher parte do cólon. Depois, o paciente é movimentado de modo a que o líquido circule e preencha todo o intestino grosso.
Através do mesmo tubo, é bombeado ar que permite expandir o cólon.
Tendo o bário aderido às paredes do intestino, são captadas várias imagens para serem observadas pelo médico.

Pode ser indicado em situações em que não é possível realizar uma colonoscopia
O EBDC é um exame menos sensível do que a colonoscopia, sendo mais sensível para alterações com alguma dimensão (> 1cm) e exige também uma preparação prévia do intestino. Se for detectada alguma alteração, terá de ser posteriormente estudada por biópsia, através de colonoscopia ou retossigmoidoscopia.

Colonoscopia virtual

Também com o nome de colonografia tomográfica computorizada, a colonoscopia virtual é um tipo de tomografia axial computorizada (TAC), que é realizada ao cólon e ao reto.
É um exame aliciante, que está a ser estudado como alternativa à colonoscopia tradicional, porque é não invasivo, confortável para o paciente, não exige sedação, e exclui os riscos de perfuração do cólon.
Usando radiação comum num TAC, a colonoscopia virtual capta inúmeras imagens de raios-X, em redor do corpo, enquanto o paciente se encontra deitado numa marquesa.
Softwares específicos, analisam estas imagens fazendo uma representação de superfícies e volumes em perspectiva (2D e 3D), do cólon e reto.
Deste modo, a CTC permite ao médico visualizar as paredes do cólon, “viajando” no seu interior, para detetar pólipos ou cancros que possam existir.
É um exame útil em pacientes que não podem realizar uma colonoscopia ou não querem submeter-se a este exame No entanto, é uma técnica com algumas limitações, que se espera sejam ultrapassadas no futuro:
• tem uma maior sensibilidade para lesões superiores a 1 cm;
• tem menor sensibilidade para lesões planas e na leitura do cólon sigmoide e reto;
• não permite a obtenção de uma biopsia, que só será possível por colonoscopia.
Na mesma linha desta tendência virtual, uma outra técnica está a ser alvo de pesquisas, para que no futuro seja mais fácil rastrear: a cápsula endoscópica.